Segurança nos armazéns com empilhadores
Tendências de Segurança

Fatores de risco nas instalações e tendências para um tráfego interno seguro

Por Marc Castro, Gestor de Produtos de Segurança da Linde Material Handling Ibérica, para 'Tribuna CEL

Os acidentes no tráfego interno continuam a implicar um risco para as pessoas, bens e infraestruturas do armazém. A tendência do sector ainda continua a ser o investimento na segurança após um acidente, o que se traduz em custos consequenciais evitáveis. Analisamos os fatores envolvidos nesse risco e as tendências de segurança para ajudar a criar um ecossistema fiável, rentável e produtivo.

O risco de trabalhar num ambiente industrial e, particularmente na logística, a conviver com ferramentas, soluções e sistemas de armazenagem e movimentação, tais como empilhadores e outros equipamentos, é tido em conta, mas colocá-lo como um dos principais aspetos a ter em conta para o desenvolvimento do negócio continua a ser um desafio.

Segundo dados recentes da ACT, em Portugal, este ano, registaram-se até Agosto, 98 acidentes de trabalho graves, dos quais cinco aconteceram ao nível do transporte e armazenagem, 23 decorreram em ambiente industrial, 19 com máquinas e equipamentos portáteis ou móveis e três com dispositivos de transporte e armazenamento. De referir que 13 destes acidentes resultaram em esmagamento em movimento.

Com um cenário como o descrito, não há outra possibilidade senão procurar os fatores que o estão a desencadear e encontrar a alavanca da mudança que nos levará a gerar ecossistemas mais seguros e mais fiáveis para as pessoas, bens e infraestruturas.

Fatores de risco que levam a acidentes no armazém

Há muitas razões pelas quais os incidentes ocorrem dentro das instalações logísticas de uma empresa, e muitas delas não são necessariamente falhas internas, mas sim externas. No entanto, há três fatores que são os mais importantes:

  • Formação insuficiente:

A profissão de logística está a tornar-se cada vez mais digna, e isto está também a conduzir a uma melhoria em termos de formação, mas ainda somos confrontados com sectores industriais que colocam a formação dos seus empregados e operadores de armazém em segundo plano, em termos de segurança e ergonomia.

O aumento da formação implica, entre outras coisas, gerar uma mudança de mentalidade com que são gerados novos hábitos na indústria e isto traduz-se na designação de maior valor e responsabilidade nas posições operacionais, que estão realmente nas mãos daqueles que são responsáveis pela produtividade e evolução do negócio.

Investir na formação das pessoas que realmente fazem o trabalho é um seguro de vida para elas e para o desenvolvimento da atividade, e não o fazer implica uma falta de conhecimento e informação que tem consequências graves, mas que poderia ser resolvida num curto espaço de tempo e com poucos recursos.

  • Rotatividade do pessoal:

Estreitamente ligado ao acima exposto e com um enfoque no talento e na profissão, o facto de haver uma elevada rotação de pessoal implica frequentemente a negligência, por parte dos decisores, da implementação de medidas de segurança adequadas a um ambiente como o da intralogística.

De facto, picos na procura, tais como grandes campanhas de Natal ou de comércio eletrónico, levam a contratações adicionais por períodos curtos e depois não implicam necessariamente uma relação laboral duradoura, o que não motiva as empresas a investir em formação ou informação em termos de segurança para os seus empregados.

  • Falta de investimento:

Ainda temos tendência para resolver o problema em vez de o prevenir e as decisões de investimento são geralmente tomadas após o acidente já ter acontecido, o que é um enorme erro.

A segurança tem de estar em primeiro lugar em qualquer instalação e se isso significar fazer melhorias ou acrescentar elementos que contribuam para ela, esse investimento terá um claro retorno de todos os pontos de vista.

Mais uma vez, tem de haver uma mudança de mentalidade para investir em sistemas de segurança, especialmente no que diz respeito a ferramentas e equipamento para a instalação.

Tendências seguras: para onde vamos e algumas sugestões

Por outro lado, e olhando para o assunto de um ponto de vista mais positivo, as posições de controlo e implementação de medidas estão a aumentar, bem como os serviços de consultoria especializados em aspetos específicos tais como empilhadores, tráfego pedonal ou riscos específicos (controlo químico, gestão de stocks, sinalização de condutas...etc.).

  • Ergonomia:

A ergonomia e o conforto do operador são ainda dois fatores que são regularmente revistos pelas empresas, uma vez que não só é possível melhorar o funcionamento da atividade, como isto tem um impacto direto na segurança das instalações.

O conforto dos empregados aumenta substancialmente as suas competências no local de trabalho e ajuda-os a trabalhar num ambiente seguro e simples. De facto, existem cada vez mais ferramentas de trabalho que se adaptam ao operador e à aplicação em questão, desde a leitura do código laser dos dedos até aos óculos virtuais.

No entanto, é de salientar que embora a automação continue a fornecer um valor especial nos processos, melhorando-os e otimizando-os, o fator humano continuará presente, pelo que a definição de medidas de segurança em conformidade com a sua ergonomia é fundamental agora e no futuro.

  • Big Data:

Não é novidade que os dados são tudo hoje em dia e que sem eles não podemos tornar as operações visíveis, registar padrões de comportamento e tomar decisões. É por isso que o Big Data é, direta e indiretamente, uma ferramenta de segurança valiosa.

Os investimentos, vendas e melhorias nos processos são feitos graças a esta metodologia e em termos de segurança também não é deixada para trás.

As empresas procuram cada vez mais poder manter um bom registo dos seus empregados, desde os KPI's em algumas posições, até às horas em que têm utilizado uma determinada máquina/veículo. Isto é possível graças à gestão telemática destes instrumentos de trabalho.

Se depois de ler isto questionar-se: será que fazemos uma boa análise dos dados que podemos obter? Bem... Então daremos solução a esta questão noutra altura como elemento essencial no tratamento da informação massiva.

  • Custos associados:

Não devemos esquecer a secção financeira. Os custos dos acidentes no tráfego interno são muitas vezes o dobro dos custos de investimento para a sua prevenção, pelo que continuamos a insistir em como a prevenção é crucial, a fim de evitar custos desnecessários.

A minha recomendação aos técnicos e diferentes responsáveis, é que quando realizarem um estudo de incidente ou acidente, incluam os custos associados a essa situação, como: pessoal implícito e tempo de desemprego, reparação de bens, reparação de infraestruturas, pessoal de direção e tempo investido para analisar e resolver a situação, recuperação da produção perdida, bem como as compensações aos clientes por falta de entregas.

Apesar de tudo isto, infelizmente ainda não poderemos contar outros fatores, tais como a queda no desempenho do pessoal ou os danos para a imagem da empresa.

Soluções com bons resultados:

Na Linde Material Handling Ibérica pudemos comprovar como algumas tecnologias aplicadas para evitar incidentes de segurança funcionam em diferentes indústrias e que, além disso, oferecem bons resultados.

  • Gestão de frotas: aplicável tanto aos veículos de manutenção que circulam nas vias públicas, como aos que trabalham dentro das instalações, e permite-nos ver em detalhe os locais, tempos de trabalho ou de paragem, a fim de otimizar processos e frotas.

  • Sistemas de deteção de obstáculos (já amplamente implementados no sector automóvel) e peões através de visão direta com câmaras capazes de distinguir pessoas e obstáculos, ou através de sistemas de radiofrequência para detetar onde as pessoas estão, evitando colisões e ajudando a manter distâncias seguras ou evitar colisões entre veículos.

  • Barreiras inteligentes que impedem a passagem de peões quando há veículos nas proximidades da instalação.

  • Luzes de aviso instaladas nos próprios veículos, para avisar da aproximação, ou localizadas em pontos estratégicos de passagens de peões, que são ativadas quando um veículo se encontra nas proximidades.

  • Proteções de absorção de choques que reduzem os danos causados tanto ao elemento que atinge, como ao que recebe o impacto.

  • Sinalização rodoviária para gestão de tráfego, como se fossem vias públicas: linhas de separação de faixas, implementação de semáforos, etc

  • Deixe-se aconselhar por especialistas, quando alguém conhece um assunto, por vezes a melhor opção é ouvi-los. Muitas consultorias especializaram-se em riscos específicos em que os técnicos de prevenção atuais não têm tempo para se especializar.

A variedade é tão grande quanto as necessidades, mas no final todos procuramos a mesma coisa: melhorar a ergonomia e a segurança, a fim de aumentar a produtividade.